terça-feira, 12 de julho de 2011

Requiem

     Apenas os ventos como testemunhas e voz de protesto.A certeza da impunidade deixa-o tranquilo.Afastados de tudo e de todos. Numa floresta. Os ventos uivando.Furiosos. O corpo é enterrado calmamente. A faca jogada no rio. Uma tempestade aproximando.
     Desde de então os ventos são seus inimigos. Em dias de forte ventania arrancam-lhe um filete de sangue.Dois.Três.
     Todos desconfiavam do desaparecimento repentino dela, mas não ousavam perguntar sobre ela a ele. Só a criança.
     _ Pai, quando a mamãe volta para ficar?
     _ Nunca mais.Ela fugiu.
     _Mentira. Ela volta toda noite pra cantar uma canção pra mim e vai embora.
     Isso deixou-o desconcertado.Deve ter sonhado.
     _ Os ventos são bonzinhos, a carregam até a janela do meu quarto.Ela , canta , eu durmo e depois  ela vai embora de novo. Sempre assim.
     Sempre os ventos. Se antes ficou irritado,agora ficou furioso.Resolveu confirmar com seus próprios olhos.
      Durante à noite os uivos dos ventos ficavam cada vez mais fortes. Anunciando a tempestade?Uma torneira pingava em algum lugar da casa.No ritmo das batidas de um coração. Ou passos pesados?
     De repente, abriu-se a janela.Uma canção de ninar.Ela entrou realmente carregada pelos ventos.A menina embrulhada numa colcha de retalhos quase dormindo. Dorme ao embalo da melodia.Quando percebe-o no quarto os ventos que a acompanhavam transformaram-se em garras afiadas para tirar mais do que filetes de sangue.
                  04/11/00.
                  09/11/00.
                  21/07/01.

 

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